27.5.12

arquitetando tanto

por trás de portas que não se abrem,
sobre plantas que não se movem,
flores eu colho e dou como retribuição
para você

enfeites do jardim de cores e pixels
que você projetou para nós dois,
elas não têm nome, cheiro,
mas formas, sim:
pincéis do Microsoft Paint®

elas têm o tamanho exato de nossa vontade,
viver o para sempre a cada dia,
arrumando um buquê de bem-quereres

repare

da varanda lateral, jogarei as sementes
em todo o gramado
para que o solo possa abrigá-las
e, em dias de sol como o hoje, do alto do cômodo
envidraçado, cujas paredes, embora frágeis,
têm a transparência reveladora
de um sentimento que se estenderá
além dos pilares,
das cercas,
da calçada,
eu me atiro entre elas
para germinar

lá de cima,
tomando café-com-leite
para umedecer as mastigadas do bolo de ovos,
balançando na cadeira,
veremos nossos meninos brincarem no quintal
- sejam eles gente ou bicho,
amém de todo modo

a casa que projetou para nós
levará nossos nomes na entrada
para alertar que, além de donos,
aquela propriedade é a sede
de uma felicidade mútua

a casa que projetou para nós
terá concretude em vez de concreto,
terá sentimento em vez de cimento,
terá vida em vez daquela viga sobre a qual discutiremos
se estará no ponto certo

terá tudo no lugar
e lugar para tudo

será abrigo
sem obrigação,
mas pelo bem que faz ao amor
se um lar se encontra

brindemos nosso teto
e fundamento,
nosso primeiro
aval para casar

casa e casamento
eu aceito
sem dúvida


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para FNJr.

1 comentário:

Rafael Pelegrina Pieroni disse...

suas entrelinhas dubias e concisas sao muito inteligentes. vc escreve pra caralho e consegue traduzir muito bem o bom momento que vive. cheers, dear