27.11.14

altas horas

pontualmente:
protetor solar, 6h
creme dental, 12h
loção hidratante, 24h
desodorante, 48h

no armarinho do banheiro,
só não se encontra
um ponteiro que marque
a hora certa; tudo é
bomba-relógio,
marcapasso

17.11.14

não falta

Trouxa cheia de sujidade. Extrato de tomate. Largou de molho. Branco fosse. Era negra fossa. Foi-se. Foice é como saudade cortante: um pouco de doença, um pouco de saúde notáveis. Nota de cem no bolso da calça jeans. Peixe no aquário. Eu, nada. Fora d'água. Ciclo rápido na lavanderia.
Falta pouco. Há pouco faltava. Chuva trouxe.

11.10.14

tiros in Columbina

deslocamento
deslocalmente
desloucamente
descolamento
deslamento
deznaescola

tiro/s

no baile,
a sapatilha,
a máscara,
a fantasia,
o Pi errou
o alvo

Morre a melhor aluna deste carnaval fora de época



9.10.14

emotionalphone s2

"Cadê o coração? Cadê o coração?", eu me perguntava aflito por não encontrá-lo entre os emojis do WhatsApp. Sim, esqueci que tenho um reserva no meio do peito, à mesma altura em que uso o smartphone para teclar - um pouco mais à esquerda, melhor identificando no mapa.

Recalculando rotas, valores, hábitos a partir de agora. Bateu forte quando me dei conta.

5.10.14

cadê?

eu, às brasas
vc, abra asas
- por nossos voos,
por si, por mim
vai...

depois,
nós, na noite,
como estrelas
cadentes,
carentes,
sumindo de vista

viu?

4.10.14

2.10.14

m/andou mal

Zezinho anda mal das pernas. Mal anda meio quilômetro e logo tropeça em seus erros espalhados pelo vento dias antes. Malandro que é, Zezinho largou as malas no caminho. Melhor com mochilas. Bagagem de mão. Mais fácil manusear as letras já que as palavras se destroçaram; são sílabas e pausas. Zezinho, agora, m/anda tudo de ponta-cabeça depois daquele Wanda/val.